quarta-feira, 13 de maio de 2009

Deus - Parte II

Mas vamos pensar que você insista nessa coisa de Deus. Então eu te proponho uma alternativa. Acredite em Deus. Não essa invenção humana. Esse “tentar resumir toda a natureza num único ser”. O universo é tão complexo, que por mais evoluídos, por mais “inteligentes”, por mais estudiosos que sejamos, nunca vamos conseguir explicá-lo por inteiro. Nem 1% dele. O universo é mágico, é muito mais que um Deus, muito mais que qualquer coisa que essas “minhocas” que temos dentro do crânio conseguem mensurar. A física, a química, a matemática, a engenharia, a biologia, tentam transformar numa linguagem “humana”, numa linguagem palpável, uma infinidade de assuntos, tão complexos, que são impossíveis de serem “domados” por essas ciências. Ao mesmo tempo em que evoluímos, que conseguimos dar muitos passos importantes, não saímos do lugar. Pois é tão profunda e complexa a imensidão do universo.
Agora se você insiste mesmo, então acredite na sua consciência, acredite na força do amor, acredite na lei universal do “tudo que vai, volta em dobro”, acredite na humanidade, na solidariedade, na simplicidade, na comunidade, na amizade, na paz, na natureza e em tudo que ela pode nos proporcionar.
Tem gente que acredita em Deus e faz o mal para as pessoas, não sabe compartilhar, dividir, se solidarizar. Tem gente que acredita em Deus e vive se privando de alguns prazeres, pois os considera pecado. Tem gente que acredita em Deus e não conhece o próprio vizinho, vive falando mal de todo mundo. Tem gente que acredita em Deus e não se abala ao ver uma pessoa passando fome ou necessidades na rua. Tem gente que acredita em Deus e rouba, sequestra, rouba dinheiro do povo, ilude a população. Tem gente que acredita em Deus e destrói a natureza, derruba árvores, polui os rios e oceanos, não se importa com nada a sua volta. Tem gente que acredita em Deus e mata, faz guerras em nome Dele. E se eu fosse colocar todas as barbaridades que as pessoas tão crentes em Deus fazem, esse post não teria fim. E com tudo isso, eu te pergunto, que Deus é esse?
O Deus que eu proponho pra você acreditar é esse Deus que não quer violência, que não quer nenhum ser humano desrespeitando o outro, que não quer nenhum ser humano passando fome, sede, frio ou calor demais. O Deus que eu peço pra você acreditar é esse Deus que não quer roubos, nem sequestros, nem tiroteios, nem tráfico, nem corruptos, nem acúmulo de dinheiro, nem acúmulo de poder. Esse Deus só quer que sejamos felizes, que tenhamos uma vida digna. Quer que não façamos nada que nossa consciência possa julgar errado. Mas quer também que cometamos uns “pecadinhos”. Ou você acha tão errado assim namorar, fazer sexo, sentir preguiça às vezes, comer algo só pelo simples prazer de comer, ou até mesmo sentir raiva de vez em quando. Ninguém é perfeito, e esse Deus sabe disso. Desde que tudo que você fizer não prejudique ninguém e não interfira na liberdade de cada um ser o que é, e ser feliz assim.
Continua...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Deus - Parte I

Deus. Talvez essa seja uma das palavras mais antigas da humanidade. Presente em todas as línguas, sempre citada nas religiões, tão usada no nosso dia-a-dia. “Pelo amor de Deus”. “Meu Deus”. “Deus nos ajude”. “Fica com Deus”. Mas muitos, talvez até mesmo a maioria, nunca parou para pensar, pensar com vontade, nesse assunto. Nesse “ser” onipotente, onipresente e onisciente. Nesse “ser” tão poderoso, tão generoso, tão piedoso. Nesse “ser” de tantos adjetivos. Por que se parassem, e pensassem, com a maior força possível no assunto, era impossível alguém acreditar nesse Deus que a maioria das religiões prega. Eu não consigo acreditar. Talvez fosse até mais feliz se conseguisse, pois como diz o ditado: “A ignorância é uma benção”. Mas (in)felizmente eu não consigo. Esse Deus que criou a Terra em 6 dias e descansou no sétimo. Esse Deus que “nos fez imagem e semelhança”. Esse Deus que fez Adão, e depois fez Eva. Esse Deus tão popular, tão engrandecido. Esse Deus não existe. Por mais difícil que seja para alguns, essa é a única verdade. E eu vou te explicar por que.
Esse Deus que você acredita que existe, é um Deus humano, um Deus criado pelos próprios homens. Criado para trazer respostas para nós. Respostas sobre todas as perguntas até então não respondidas. De onde viemos? Para onde vamos? Coisas desse tipo. E como na época que elas começaram a pairar sobre as nossas cabeças, éramos seres primitivos, que mal entendiam a própria linguagem, foi inventado ele, o maior coringa de todos os tempos, Deus.
Ele responde tudo. Não é simples? Eu acho uma grande sacada, se considerarmos o nível de desenvolvimento intelectual daquela época. Mas o que a maioria não entende, é que hoje não precisamos mais dele. Hoje a ciência está aí respondendo tudo que pode. Evoluindo muito. Conseguindo realizar verdadeiros “milagres”. Hoje ninguém morre por bobeiras que morriam há algumas centenas de anos. Hoje a expectativa de vida cresceu. Hoje sabemos que nosso universo tem em torno de 15 bilhões de anos. Hoje sabemos que o homo sapiens existe há quase 200 mil anos. Só não encontramos uma resposta pra mais fatídica pergunta, pra onde vamos? Mas então eu te proponho uma coisa. Esqueça isso! O que te importa saber “para onde” você vai quando morrer? Você só vai saber quando você morrer, e quando isso acontecer, você vai estar preparado. E se você quer mesmo saber, e acredita nessa coisa de “ir para algum lugar”, pense naquele clichê: “se não fosse bom, alguém teria voltado”.
E se tudo isso existe, a cura de muitas doenças, as melhorias na nossa qualidade de vida comparada a de nossos ancestrais, essas respostas, foi tudo fruto do ser humano. De nós, homo sapiens, mamíferos, bípedes, evoluídos. E é um mérito nosso, da nossa espécie, que dentre outras milhões de espécies que existem nesse planeta, conseguiu chegar a esse nível de evolução. E isso não é nenhuma pretensão, é só uma constatação. O ser humano é o ser mais evoluído do planeta Terra, e isso é a mais pura verdade.
Continua...

segunda-feira, 9 de março de 2009

Drogados - Parte II

Temos também aquelas drogas tão utilizadas pela sociedade. Os remédios de tarja preta. Antidepressivos, anfetaminas, entre outros, que são prescritos com uma frequência assustadora. E poucas pessoas têm noção das reais contra-indicações dessas drogas.
Podemos citar também o tão famoso e onipresente café. Podemos encontrá-lo na mesa de café-da-manhã e assim vamos encontrando durante o decorrer do dia. Essa droga tão utilizada pelos trabalhadores e estudantes, que recorrem a ela para ficarem mais ligados, mais atentos e com menos sono.
E se continuarmos a falar das drogas, teremos uma lista interminável. Televisão, vídeo-game, internet, e por aí vai. Drogas que nós nem ao menos percebemos o seu poder. Drogas que passam despercebidas no nosso dia-a-dia. Ou você para pra pensar “nossa, meu filho está jogando muito vídeo-game” ou “nossa, meu filho está comendo muita bobeira” ou até mesmo “nossa, meu marido está bebendo demais”? Ninguém pára pra pensar nisso. E todas essas drogas tomaram conta de tudo. Tem droga pra todo lado.
Ah, e é claro, devemos citar as que são consideradas pelas autoridades como ilícitas. Maconha, cocaína, crack, ecstasy, LSD, heroína, haxixe, e tantas outras. Essas, diferentemente das outras, não vemos todos os dias, em todos os lugares, mas também têm muito poder de viciar e de matar.
Mas a verdadeira droga, a única que realmente não tem controle, é o próprio ser humano. Nós somos uma droga. Não conseguimos fazer nada com harmonia. Nada com equilíbrio. Não sabemos dosar. Não sabemos ponderar. Ou você realmente acha que uma barra de chocolate faz mal? Ou uma ida no Mc Donald’s? Ou a televisão, o vídeo-game, a internet, a religião, o álcool, o cigarro, o futebol, o café? Eles não fariam tanto mal assim caso você soubesse dosar, soubesse administrá-los, soubesse encontrar um ponto de equilíbrio.
Até por que, o exagero é maçante. O exagero é um exagero. Nem mesmo as melhores coisas da vida, em excesso, são interessantes. Nada melhor que a harmonia, o equilíbrio. E aí está a chave de tudo. Quando você conseguir dosar tudo isso, chegar num limite, onde não haja extravagâncias, esse nome tão feio, DROGA, cai por terra, e não precisa ser utilizado. Pois você vai ter encontrado o ponto de equilíbrio que torna tudo aceitável.
Um lanche do Mc Donald’s por mês. Um copinho de café por dia. Uma barra de chocolate por semana. Uma hora de televisão por dia. Umas cervejinhas e uns cigarros no final de semana. A missa do domingo. O futebol do domingo. E assim fica tudo certo, todo mundo fica feliz.
Então irão cair os preconceitos, os tabus, em relação a todas essas coisas, e quem sabe um dia possamos até mesmo riscar do dicionário essa palavra tão feia!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Drogados! - Parte 1

Pensei em milhares de maneiras de tornar esse assunto tão polêmico, em algo sutil e discutível. Pois todos já têm uma opinião formada quando se trata de drogas. “Droga é coisa do capeta” dizem os religiosos. “Como o próprio nome já diz” dizem os pseudo-esclarecidos. “Não use drogas, use a inteligência” dizem os programas antidrogas. “Legalize já” dizem os mais liberais. Mas ninguém na verdade sabe tratar esse assunto com a devida importância, com o devido esclarecimento.
Então eu resolvi partir do princípio básico de que todos nós somos drogados. Todos nós temos o nosso vício. E isso é a mais pura e dura realidade. Estamos sempre procurando algo que nos dê prazer a qualquer custo, algo que nos faça relaxar, esquecer os problemas. Algo que nos acalme, que faça o tempo parar. Algo que nos dê força, que nos dê segurança. E existem muitas coisas que podem proporcionar isso tudo.
A religião por exemplo. Quando é levada realmente a sério, é uma droga poderosíssima. As crises de abstinência são pesadas, e a necessidade de se “drogar” se torna quase que constante. Ou você nunca viu uma dessas beatas com o terço na mão, rezando em todos os lugares? Ou aquelas pessoas que abdicam da vida “mundana” e se entregam ao sacramento da ordem? Ou então aquelas que ficam enclausuradas pela vida inteira, servindo ao Senhor? Isso é realmente uma droga!
Ou então o álcool. A droga mais banalizada de todas. Você consegue comprar uma dose de pinga em qualquer esquina. Seu filho de 13 anos consegue comprar uma garrafa de cerveja em qualquer esquina. E você pode beber, encher a cara, ficar completamente bêbado, e ninguém vai te falar que está errado, que está fora da lei. A lei te dá esse respaldo, afinal, o álcool é permitido, é legalizado. E quantas pessoas morrem em decorrência de algum problema relacionado ao álcool. Ou de alcoolismo, ou de acidentes, ou de cirrose, ou de tantos outros jeitos que uma pessoa pode morrer quando está bêbada. E está tudo certo. Um pai de família que bebe todo dia, não está errado. Um jovem que começa a beber com 15 anos, não está errado. Essa sim é a droga mais banal de todas.
E se formos por esse lado, vamos encontrar também o cigarro. Outra droga poderosíssima cujos poderes de matar, de viciar, são completamente negligenciados. Qualquer criança compra um maço de cigarros no Brasil. Com 1 real você tem 20 cigarros, 20 momentos de prazer, 20 motivos pra morrer. E ninguém fala nada também. O máximo que podem falar é: “que cheiro horrível, vai fumar pra lá”. E é péssimo saber que a única preocupação com essa droga é o cheiro que ela produz quando é utilizada.
Caminhando pelo supermercado encontramos tantas outras drogas. Uma das mais consumidas é o tão querido chocolate. Com certeza se você fizer uma procura não muito a fundo na sua família, vai encontrar um chocólatra. Aquele que come chocolate compulsivamente, que come chocolate quando está nervoso, triste, ansioso, ou até mesmo por motivo nenhum. Essa droga um tanto quanto calórica é a salvação de muitas pessoas. Ou você nunca presenciou uma pessoa desesperada comendo uma porção considerável de chocolate?
E se continuarmos falando de comida, podemos considerar também as comidas gordurosas, calóricas, exaustivamente não recomendadas pelos nutricionistas e que são uma verdadeira bomba pra saúde. Essas comidas também são uma espécie de alívio para muitas pessoas. É a famosa junk-food. Comidas que não servem para nada, a não ser para acabar com a saúde de quem as consome. E o que é mais preocupante, é que essa droga é extremamente utilizada por crianças, que vêm se tornando obesas muito rapidamente, e que vêm adquirindo vários problemas de saúde em decorrência do consumo desse tipo de droga.
Fanatismos em geral. Esse é outro tipo de droga muito utilizada. Como exemplo podemos citar o futebol. Futebol é a droga mais utilizada pelos brasileiros. Desesperados, chorões, brigões. Os dependentes ficam desse jeito. Passam a viver em função do seu time. Usam camisetas, assistem enlouquecidamente aos jogos na TV, vão aos estádios, nada está bom quando o time perde, tudo está perfeito quando o time ganha. E essa droga é tão poderosa e o nível de entrega dos dependentes é tanto, que muitos perdem muito com ela. Família, amigos, dinheiro, dignidade, e tantas outras coisas.

Continua no próximo post...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O jardim é meu, eu que sei

Aprendi que devemos respeitar os mais velhos, respeitar os mais sábios, respeitar os grandes escritores, mas tudo tem um limite.
Todos sabem que Mário Quintana escreveu:
O segredo é não correr atrás das borboletas…
é cuidar do jardim para que elas venham até você.

E eu, na minha humilde ignorância, resolvi então contestá-lo. Primeiramente, o jardim é meu, e eu faço dele o que eu quiser. E se você parar pra pensar, de que adianta cuidar do jardim, aparar a grama, trocar as flores secas por mudas novinhas e formosas, regar todo dia, tirar as pragas e deixar tudo em perfeito estado, se isso é só a aparência. Os nossos jardins são como são, não adianta fazer uma propaganda enganosa. Temos folhas secas, flores secas, grama alta, pragas. Somos cheios de defeitos. As borboletas devem gostar do seu jardim assim como ele é, com as flores novas, e as velhas, com a grama alta e com a grama baixa, pois você é assim, você tem muitas qualidades, mas também tem muitos defeitos. Cuidar do jardim é só uma maneira de mascarar aquela folhinha seca que você quer tanto esconder das borboletas.
E quem disse que não se deve correr atrás. É claro, que como tudo na vida, deve ser feito com moderação, com equilíbrio, mas você também não deve deixar seu jardim lá, escondido, longe das borboletas, para que aquela, em especial, procure por ele. Deve ser um encontro casual, entre o seu jardim e ela, mas se isso não ocorrer, não custa nada dar uma forcinha. Pegue uma rede e vá correr atrás.
Dane-se se a borboleta é rosa e as flores do seu jardim também. O que importa é que você gostou daquela, e deve sim correr atrás, até por que, vai saber se ela achou que o seu jardim é o ideal. Só você tem o poder de mostrá-la o quão interessante ele é. Mostre as flores, as fontes, a grama verdinha, mas também mostre aquela árvore que já morreu, aquela praga que nasceu. Só assim ela pode conhecê-lo por completo.
E essa coisa de afinidade entre borboleta e jardim, vai muito mais além. Vai além da literatura, dos livros cheios de palavras, de clichês, de receitas de bolos, de poesia, de contos de fadas. Não existe uma receita pra isso. Cada jardim, e cada borboleta, são únicos, e não tem como existir uma regra geral.
Não seja bobo. Se entregue. Deixe-se levar por essa vontade. Cometa loucuras. Loucuras são normais quando se está apaixonado. Se a borboleta está passeando no shopping, vá ao seu encontro. Ou se ela está no messenger, fale com ela. Ou até mesmo se ela estiver longe, pegue um ônibus e vá atrás. Nada melhor do que seguir os impulsos. Esses impulsos regados a coração acelerado, frio na barriga e suor gelado.
Nada melhor do que sentir-se assim, nas nuvens. Paixão é assim mesmo. Não se cobra uma reciprocidade. Claro, que se é recíproca, é o paraíso. Mas quando não é, vale a pena só por essa quebra na rotina. Por esse “sair do chão”. Por esse sorriso sem motivo. Por essa música romântica ouvida no maior volume. Por essa cara de bobo. Por esse “fuçar no orkut”.
Cuide do seu jardim sim, só pra não deixar tudo caindo aos pedaços. Mas não tente mascarar ou esconder aquelas imperfeições. E quanto a correr atrás, não pense duas vezes, vá sim. Só não saia correndo, vá andando, com jeitinho. Mas se precisar, uma loucura ou outra é permitida. Tudo é permitido quando se está apaixonado!