sexta-feira, 9 de maio de 2008

O menino de plutão

Como plutão foi deposto do cargo de planeta, a debandada de seus habitantes foi grande. E um deles veio parar justamente aqui na Terra. Para sua surpresa, ele encontrou um planeta completamente diferente do seu. Por ser um extraterrestre ele foi convidado a participar de um internacionalmente conhecido programa de entrevistas, e lá deu a seguinte declaração:
“Fiquei chocado ao chegar neste planeta. A primeira diferença gritante que encontrei foi essa divisão estranha que se faz aqui, entre algumas regiões do planeta, chamada país. É muito estranho ter esse tipo de pensamento. E mais absurdo ainda foi ver que o “país” mais “poderoso” restringe a entrada de muitas pessoas no seu território. Primeiro que no meu planeta não existe esse tipo de divisão, quanto mais competição entre eles. E segundo que lá os habitantes são livres para transitar em qualquer lugar que quiserem, sem ter que dar satisfação a ninguém. Então quer dizer que um pobre iraquiano nunca vai poder visitar o grand canyon, só por que não teve a sorte de nascer nos EUA? Isso é inacreditável.
Outra grande observação que eu fiz, foi na maneira como os habitantes daqui se relacionam. No meu planeta nós descobrimos que a superpopulação é prejudicial ao bem estar de todos, então poucas pessoas querem ter filhos, e assim o sexo se tornou quase que exclusivamente um meio de proporcionar prazer, e com isso, não existem regras para tal relação. Esses termos heterossexual e homossexual não existem. Afinal, o que seria do prazer se todo mundo tivesse que seguir uma cartilha, não é verdade?
Mas o que me mais chocou foi uma instituição estranha que existe neste planeta. A religião. Para que serve isso, a não ser alienar, manipular e roubar as pessoas? No meu planeta todos sabem que não adianta se questionar sobre “da onde viemos” ou “para onde vamos” e todo mundo sabe também que a única chance de fazermos algo realmente importante é nessa vida, não existe outra. Então lá não existe uma instituição para “guiar” os nossos passos. Nós sabemos muito bem o caminho que devemos trilhar, afinal, não somos tão ignorantes quanto vocês.
E outras tantas diferenças que eu encontrei, como essa mania grotesca de acúmulo de dinheiro. Aliás, eu ainda não entendi para que serve esse tal de dinheiro. No meu planeta as pessoas simplesmente têm tudo que precisam, por que o governo nos proporciona saúde de primeira qualidade, educação, transporte, alimentação, e todos esses requisitos básicos para uma vida digna. Não compramos nada além do que precisamos, até por que não compramos nada. O que nós fazemos é trabalhar para que esse serviço do governo continue operando. Então uns trabalham no transporte, outros na lavoura, outros fazem mestrado e doutorado para dar aula ou fazer pesquisas para o progresso de nossas tecnologias.
Outra coisa que existe aqui, mas que no meu planeta nem passa pela nossa cabeça, é esse tal de preconceito. Nosso primeiro avanço nesse sentido é não ter essa tal de religião, que constrói a maioria dos preconceitos. Outro avanço é a questão do sexo não ter regras gerais no nosso planeta, então não existe preconceito contra o que vocês chamam de “homossexuais”. E então vocês podem pensar que não existem “negros”, “orientais”, “sul-americanos”, “europeus”, no meu planeta. Mas estão muito enganados. O que não existe no meu planeta é essa divisão que vocês chamam de “etnias”. Lá existem pessoas com aspectos físicos muito diferentes, com diferentes cores de pele, diferentes feições, diferentes alturas, mas é claro que isso não tem nenhuma influência na maneira com a qual as tratamos. Todo mundo tem os mesmos direitos, independente da sua aparência física...

To be continued!

0 comentários: