Queria hoje ao invés de te criticar, te contar uma história.
Era uma vez um menino, que foi “abençoado por deus” e nasceu em uma boa família. Esse garoto teve tudo o que precisou para ter uma formação decente, uma vida digna, como uma boa alimentação, uma casa confortável, roupas novas, uma cama quentinha para dormir, na medida do possível os melhores brinquedos, e enfim, chegou a hora dele ir pra escola. O incentivo dos pais para que ele freqüentasse a escola foi digno de uma condecoração. E não só o incentivo para freqüentar, mas também para ele se dedicar e estudar cada vez mais. Então cada vez mais motivado, ele resolveu cursar um colégio técnico no ensino médio, e em seguida, pôde fazer um cursinho para então ingressar em uma faculdade com muito prestígio.
Assim, em uma madrugada gelada, depois de horas de estudos, esse rapaz se encontra indo embora da casa de um amigo, quando de repente ele se depara com uma cena deprimente. Um menino de aproximadamente 12 anos, dormindo na rua, sem ao menos um cobertor, ou um papelão, simplesmente dormindo na calçada. Com a cabeça a mil, ele simplesmente se perguntou: Que futuro tem esse menino? E assim acaba a história!
E então você é levado a pensar muitas coisas. Uma delas é simplesmente: qual é o motivo que o fez nascer numa família tão desestruturada que ele chegasse ao ponto de dormir na rua? Ou se perguntar, por que deus foi tão cruel com ele? Ou até mesmo, parar e pensar, se um dia você o encontrasse no semáforo roubando 1 real, você o julgaria como um transgressor? É claro que você responderia essa última questão, usando o seu falso-moralismo tão peculiar, “a ocasião faz o ladrão” ou algo do gênero, querendo insinuar que mesmo com as condições de vida que ele teve, com 12 anos de idade ele deveria ter maturidade suficiente para parar e decidir que ele não iria roubar 1 real pra comer. Ah, faça-me o favor!
E com tantos meninos como esse, as penitenciarias se transformam num asilo social. Quem não tem mais jeito, quem já foi completamente estragado pela má distribuição de renda, pela falta de educação, nos dois sentidos da expressão, pela falta de dignidade, acaba indo para lá, e começa um curso extensivo de como ser um bandido, com alguns requintes de crueldade que todos nós conhecemos. Mas como você é moralista ao extremo, usa mais uma vez um discurso pré-fabricado, não por você é claro, por que isso não é do seu feitio, mas que se encaixa muito bem na situação, que é: “vai da índole da pessoa”, “cada um tem o que merece”, “pobreza não justifica nada”.
Enfim, eu concordo com essa retórica em partes. Eu acho que cada pessoa nasce com uma índole, e que isso vai determinar todas as ações dela, inclusive se ela vai roubar, matar, todas essas coisas. E as pessoas que nascem com esse desvio de caráter devem sim serem isoladas do convívio social, afinal a ordem geral depende disso. Agora isoladas do convívio social não significa jogadas numa cela que cabem 50 e convivem 300. Mas não vamos entrar no âmbito da situação precária das penitenciárias do Brasil, por que isso é demasiado clichê. E se eu falar: você diz que pobreza não justifica nada, mas isso é por que você nunca viu seu filho passando fome, não vou estar sendo tão convincente por dois motivos, um que vou estar usando mais um clichê, e outro que eu também nunca vi meu filho passando fome, afinal eu nem tenho filho. Então eu deixo você com essa dúvida. Será mesmo que a pobreza, a miséria, condições mais que precárias de vida, a completa falta de educação, de saúde, de amparo social, até mesmo de instrução, de noção do que é certo e o que é errado, de uma família verdadeira, será mesmo que tudo isso não justifica nada?
Para encerrar, eu não estou defendendo ninguém, e nem mesmo o ato de roubar para comer, ou roubar por qualquer outro motivo, acho que se a pessoa comete algum mal real para a sociedade, tem que ser punido sim, mas eu tive que falar tudo isso pra jogar uma coisa na sua cara. Você vive com medo de ser assaltado, vive com medo de andar na rua e perder seu ipod, seu nike shox, seu celular, mas nunca parou para pensar que para muitas e muitas pessoas, a situação é tão extrema, que elas são levadas a achar que roubar não é tão ruim como parece, como esse menino de 12 anos dormindo na rua em pleno inverno, que se um dia sentir fome e não tiver escolha, vai acabar fazendo, infelizmente.
Mas e aí? A culpa é de quem?
Era uma vez um menino, que foi “abençoado por deus” e nasceu em uma boa família. Esse garoto teve tudo o que precisou para ter uma formação decente, uma vida digna, como uma boa alimentação, uma casa confortável, roupas novas, uma cama quentinha para dormir, na medida do possível os melhores brinquedos, e enfim, chegou a hora dele ir pra escola. O incentivo dos pais para que ele freqüentasse a escola foi digno de uma condecoração. E não só o incentivo para freqüentar, mas também para ele se dedicar e estudar cada vez mais. Então cada vez mais motivado, ele resolveu cursar um colégio técnico no ensino médio, e em seguida, pôde fazer um cursinho para então ingressar em uma faculdade com muito prestígio.
Assim, em uma madrugada gelada, depois de horas de estudos, esse rapaz se encontra indo embora da casa de um amigo, quando de repente ele se depara com uma cena deprimente. Um menino de aproximadamente 12 anos, dormindo na rua, sem ao menos um cobertor, ou um papelão, simplesmente dormindo na calçada. Com a cabeça a mil, ele simplesmente se perguntou: Que futuro tem esse menino? E assim acaba a história!
E então você é levado a pensar muitas coisas. Uma delas é simplesmente: qual é o motivo que o fez nascer numa família tão desestruturada que ele chegasse ao ponto de dormir na rua? Ou se perguntar, por que deus foi tão cruel com ele? Ou até mesmo, parar e pensar, se um dia você o encontrasse no semáforo roubando 1 real, você o julgaria como um transgressor? É claro que você responderia essa última questão, usando o seu falso-moralismo tão peculiar, “a ocasião faz o ladrão” ou algo do gênero, querendo insinuar que mesmo com as condições de vida que ele teve, com 12 anos de idade ele deveria ter maturidade suficiente para parar e decidir que ele não iria roubar 1 real pra comer. Ah, faça-me o favor!
E com tantos meninos como esse, as penitenciarias se transformam num asilo social. Quem não tem mais jeito, quem já foi completamente estragado pela má distribuição de renda, pela falta de educação, nos dois sentidos da expressão, pela falta de dignidade, acaba indo para lá, e começa um curso extensivo de como ser um bandido, com alguns requintes de crueldade que todos nós conhecemos. Mas como você é moralista ao extremo, usa mais uma vez um discurso pré-fabricado, não por você é claro, por que isso não é do seu feitio, mas que se encaixa muito bem na situação, que é: “vai da índole da pessoa”, “cada um tem o que merece”, “pobreza não justifica nada”.
Enfim, eu concordo com essa retórica em partes. Eu acho que cada pessoa nasce com uma índole, e que isso vai determinar todas as ações dela, inclusive se ela vai roubar, matar, todas essas coisas. E as pessoas que nascem com esse desvio de caráter devem sim serem isoladas do convívio social, afinal a ordem geral depende disso. Agora isoladas do convívio social não significa jogadas numa cela que cabem 50 e convivem 300. Mas não vamos entrar no âmbito da situação precária das penitenciárias do Brasil, por que isso é demasiado clichê. E se eu falar: você diz que pobreza não justifica nada, mas isso é por que você nunca viu seu filho passando fome, não vou estar sendo tão convincente por dois motivos, um que vou estar usando mais um clichê, e outro que eu também nunca vi meu filho passando fome, afinal eu nem tenho filho. Então eu deixo você com essa dúvida. Será mesmo que a pobreza, a miséria, condições mais que precárias de vida, a completa falta de educação, de saúde, de amparo social, até mesmo de instrução, de noção do que é certo e o que é errado, de uma família verdadeira, será mesmo que tudo isso não justifica nada?
Para encerrar, eu não estou defendendo ninguém, e nem mesmo o ato de roubar para comer, ou roubar por qualquer outro motivo, acho que se a pessoa comete algum mal real para a sociedade, tem que ser punido sim, mas eu tive que falar tudo isso pra jogar uma coisa na sua cara. Você vive com medo de ser assaltado, vive com medo de andar na rua e perder seu ipod, seu nike shox, seu celular, mas nunca parou para pensar que para muitas e muitas pessoas, a situação é tão extrema, que elas são levadas a achar que roubar não é tão ruim como parece, como esse menino de 12 anos dormindo na rua em pleno inverno, que se um dia sentir fome e não tiver escolha, vai acabar fazendo, infelizmente.
Mas e aí? A culpa é de quem?